Com a taxa Selic em patamares elevados, cooperativas de crédito ampliam suas operações de financiamento. Essa expansão, porém, impacta diretamente a recuperação de ativos: mais contratos em circulação significa maior volume de inadimplências potenciais e novas dinâmicas no mercado de busca e apreensão.

Por que juros altos atraem cooperativas de crédito

Cooperativas de crédito têm estrutura operacional mais enxuta que bancos tradicionais, o que lhes permite trabalhar com margens menores e taxas competitivas. Quando a Selic sobe, a remuneração de operações de crédito aumenta proporcionalmente, tornando o segmento especialmente atrativo para essas instituições.

Em 2025, essa dinâmica se intensifica. Cooperativas expandem carteiras de financiamento de veículos, máquinas agrícolas e equipamentos — justamente os ativos que alimentam o mercado de recuperação judicial e extrajudicial.

O impacto na recuperação de ativos

Mais contratos de financiamento em circulação significa duas coisas para o mercado de recuperação: (1) maior volume absoluto de inadimplências; (2) mudanças nas estratégias de cobrança e busca de garantias.

Cooperativas, por terem perfil de cliente mais pulverizado (pequenos e médios empresários, agricultores), enfrentam taxas de inadimplência distintas das grandes instituições. Muitas delas terceirizam busca e apreensão a prestadores especializados, alimentando a demanda por serviços de localização de garantias e procedimentos extrajudiciais.

Riscos para credores e devedores

Para cooperativas e credores: A competição acirrada por volume pode levar a análise de crédito menos rigorosa. Contratos com cláusulas mal estruturadas ou garantias mal registradas no DETRAN aumentam o custo de recuperação quando a inadimplência chega.

Para devedores: Muitas cooperativas, por pressão de mercado, adotam processos de busca e apreensão mais agressivos. Devedores precisam conhecer seus direitos — prazo de mora de 90 dias antes de busca extrajudicial, direito de defesa antes de arrematação — para não cair em procedimentos ilegais.

Perspectiva regulatória

O Banco Central monitora cooperativas de crédito via Resolução 4.569/2017 e alterações subsequentes. A expansão de operações em ambiente de juros altos pode ativar maior fiscalização sobre adequação de capital, análise de riscos e conformidade com limites de exposição por cliente.

Para credores, a oportunidade está em acompanhar o crescimento da carteira com processos robustos de recuperação: garantias bem registradas, prazos contratuais claros e procedimentos documentados. Para devedores, é essencial entender que expandir acesso a crédito mais barato via cooperativas não elimina direitos — exige vigilância ainda maior sobre os termos do contrato.

Fonte primária InfoMoney
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