A parceria entre Banco do Brasil e BYD para financiamento de veículos elétricos no programa Move Brasil representa uma mudança estrutural no mercado de garantias. Para operadores de recuperação de ativos, o crescimento deste segmento traz desafios inéditos: localização de veículos com rastreamento eletrônico, avaliação residual volátil e legislação ambiental em evolução.

A expansão do crédito para veículos elétricos não é apenas uma tendência de mercado — é um reposicionamento dos ativos que garantem contratos de financiamento. Quando o Banco do Brasil e a BYD ampliam a oferta de produtos nesta categoria, multiplicam-se também os processos de busca e apreensão, avaliação de garantias e liquidação extrajudicial envolvendo esta classe de bem.

O que muda para credores e recuperadores

Veículos elétricos apresentam características distintas dos motores de combustão interna. A depreciação segue padrão diferente — dependente de evolução tecnológica e oferta de pontos de recarga —, o que complica a fixação do valor residual no contrato e a avaliação de garantia em caso de inadimplemento. Além disso, sistemas de rastreamento embarcados em elétricos são mais sofisticados, facilitando localização mas também gerando questões sobre privacidade (LGPD) e acesso a dados pelo credor.

Risco jurídico: A falta de padronização em avaliação de elétricos já resultou em disputas sobre indenização por desvalorização. Credores que usam tabelas genéricas de depreciação podem sofrer descontos judiciais em ações revisional.

A localização de garantias em elétricos também exige expertise técnica — baterias degradadas, danos a sistemas de bateria e falta de pontos de recarga afetam a recuperabilidade do bem. Operadores de recuperação precisam de parcerias com concessionárias especializadas ou centros de avaliação preparados para este segmento.

Regulação e compliance

O programa Move Brasil incentiva a transição para frota limpa com benefícios fiscais. No contrato de financiamento, credores devem estar atentos: a apreensão e venda de elétricos em leilão pode sofrer restrições se a legislação ambiental estadual/municipal impuser obrigações sobre reciclagem de bateria ou destinação responsável. Previamente, isso não era questão em mercado de combustão.

Outro ponto: comunicação ao DETRAN e gravames em sistemas eletrônicos de segurança (anti-roubo, rastreamento) podem exigir procedimentos adicionais de desvinculação, aumentando tempo e custo de recuperação.

Oportunidade de diferencial competitivo

Credores que antecipar esta transição — investindo em capacitação de equipes, celebrando parcerias com avaliadores especializados e adequando cláusulas contratuais a riscos específicos de elétricos — terão vantagem em preservação de garantias e redução de perdas. Incorporar na cláusula de financiamento: critério específico de avaliação para elétricos, responsabilidade do devedor sobre manutenção de bateria e carga, e termos para localização via rastreamento (com conformidade LGPD).

Para credores e operadores de recuperação, a expansão de financiamentos de veículos elétricos exige revisão de procedimentos operacionais e jurídicos. Atualize política de avaliação de garantia (use tabelas ou peritos especializados em elétricos), ajuste cláusulas contratuais sobre rastreamento (deixe explícito consentimento para acesso a dados em inadimplemento), formalize parceria com avaliadores e leiloeiros que entendam segmento de bateria e resíduo. Antecipar esses passos reduz riscos em ações revisional e acelera recuperação de ativos.

Fonte primária bpmoney.com.br
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