O governo expandiu o teto do programa Move Brasil, ampliando o valor máximo de financiamento para automóveis. A mudança afeta diretamente a estrutura de risco dos credores e os critérios de avaliação de garantia nos contratos de financiamento veicular.

A ampliação do teto do Move Brasil para R$ 200 mil representa uma mudança significativa no mercado de financiamento de veículos no Brasil. O programa, que visa democratizar o acesso ao crédito automotivo, agora contempla uma faixa de preço de veículos mais elevada, alterando o perfil de risco e garantia que as instituições financeiras precisam considerar em suas operações.

O que muda para credores e recuperadores de ativos

Com a elevação do teto, os contratos de financiamento passam a incluir veículos de maior valor agregado. Isso implica em ajustes na avaliação de garantia — a margem entre o valor do bem financiado e o saldo devedor tende a ser mais apertada em operações próximas ao novo limite. Para recuperadores de ativos, isso significa:

• Maior volatilidade no valor de venda da garantia: Veículos mais caros sofrem flutuações de preço mais significativas, afetando a recuperação em caso de busca e apreensão.

• Complexidade na localização e avaliação: Automóveis de maior valor exigem perícia mais rigorosa e procedimentos de apreensão que minimizem riscos de dano ou depreciação acelerada.

• Revisão de critérios de elegibilidade: Credores devem reavaliação o score de crédito e a capacidade de pagamento de devedores que acessam esse novo patamar de financiamento.

Implicações jurídicas e de compliance

A mudança também traz reflexos nas defesas judiciais em ações de busca e apreensão. Devedores de contratos enquadrados no Move Brasil podem invocar a política pública subjacente ao programa como argumento em contestações, embora isso não seja fundamento legal válido para suspender procedimentos de recuperação. Credores devem documentar com precisão:

• A correta enquadramento do contrato dentro das regras do programa

• A avaliação técnica da garantia no momento da concessão do crédito

• A regularidade contratual e a conformidade com exigências do Banco Central

Essa documentação é crítica para sustentar ações judiciais e evitar condenações em danos morais ou anulação de contratos por vício processual.

Prática recomendada

Credores que atuam com o Move Brasil devem revisar seus manuais de análise de crédito e garantia, incorporando critérios específicos para a nova faixa de valor. Recuperadores de ativos, por sua vez, precisam ajustar os protocolos de busca, apreensão e avaliação técnica de bens, garantindo que a margem de segurança da recuperação seja mantida mesmo em cenários de queda do valor de mercado do veículo.

Para credores e operadores de recuperação, a ampliação do Move Brasil exige revisão imediata de critérios de risco, avaliação de garantia e procedimentos de apreensão. A maior exposição em valores absolutos não reduz o risco legal — ao contrário, amplia a necessidade de documentação rigorosa e conformidade contratual. Recomenda-se atualizar manuais internos, treinar equipes de análise e recuperação, e revisar estratégias de precificação de risco para essa nova faixa de operações.

Fonte primária businessmoment.com.br
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